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Terapia por ondas de choque radiais (R-SWT) no tratamento da fibrose dérmica e subdérmica:

Evidência clínica e aplicação prática

fibrose

 

A fibrose dérmica e subdérmica é uma condição frequentemente observada na fisioterapia dermatofuncionaldermatologia e estética médica, especialmente em contextos pós-cirúrgicos, como lipoaspiração, cirurgias faciais e procedimentos estéticos invasivos. Caracteriza-se por aumento da rigidez tecidual, espessamento fibrótico, aderências e perda da mobilidade dos planos cutâneos e subcutâneos, com impacto funcional e estético.

Um estudo publicado em 2024 no Skin Research and Technology avaliou a eficácia e a segurança da terapia por ondas de choque extracorpóreas de baixa energia (ESWT) em diferentes apresentações de fibrose dérmica e subdérmica. Os achados trazem contribuições relevantes, especialmente para a utilização clínica da terapia por ondas de choque radiais (R-SWT), modalidade amplamente empregada na prática clínica por sua versatilidade, alcance tecidual e melhor relação custo-benefício.

 

Fundamentos fisiológicos da R-SWT em tecido fibrótico

A fibrose envolve alterações estruturais da matriz extracelular, com deposição desorganizada de colágeno, redução da elasticidade e comprometimento da microcirculação. A aplicação da onda radial promove estímulos mecânicos capazes de desencadear processos de mecanotransdução, com efeitos descritos como:

  • Remodelação da matriz extracelular
  • Melhora da microcirculação sanguínea e linfática
  • Redução da rigidez tecidual
  • Reorganização das fibras colágenas
  • Melhora do deslizamento entre planos teciduais

Esses efeitos justificam o uso da R-SWT como ferramenta central no manejo de fibroses difusas e subcutâneas, particularmente em áreas extensas.

 

Modalidade radial e sua relevância clínica

onda radial caracteriza-se por dispersão progressiva da energia, com ação predominante em tecidos superficiais e subcutâneos. Do ponto de vista clínico, apresenta vantagens importantes:

  • Tratamento eficiente de áreas amplas
  • Facilidade de aplicação seriada
  • Boa tolerabilidade pelo paciente
  • Menor custo operacional em comparação a tecnologias focais

Por essas razões, a R-SWT é amplamente utilizada em protocolos de reabilitação pós-cirúrgica, fibroses estéticas corporais e alterações do tecido conjuntivo superficial.

 

Evidência clínica central do estudo: destaque para a FIGURA 5

FIGURA 5 do artigo merece destaque por demonstrar, de forma objetiva, a eficácia clínica da onda radial, inclusive quando utilizada de forma isolada.

O estudo apresenta dois casos de fibrose abdominal pós-lipoaspiração:

  • Caso tratado com terapia combinada (F-SWT + R-SWT):
    3 sessões, com aplicação de 8.000 pulsos de R-SWT por sessão, em intervalos semanais.
  • Caso tratado exclusivamente com R-SWT:
    Paciente com fibrose dérmica e subdérmica abdominal submetida a 3 sessões apenas de R-SWT, com 8.000 pulsos por sessão, também em intervalos semanais.

As imagens clínicas de antes e depois evidenciam melhora visível da textura cutânea, redução do espessamento fibrótico e melhora do contorno abdominal, inclusive no caso tratado sem associação com ondas focais. Esse achado reforça que, em fibroses difusas e subcutâneas, a R-SWT isolada pode produzir resultados clínicos relevantes, quando aplicada com parâmetros adequados.

 

Parâmetros de R-SWT observados

Os parâmetros médios descritos no estudo são compatíveis com protocolos utilizados na prática clínica:

  • Face:
    • R-SWT: aproximadamente 5.080 pulsos por sessão
    • Número médio de sessões: 8
  • Abdômen:
    • R-SWT: aproximadamente 8.400 pulsos por sessão
    • Número médio de sessões: cerca de 3

Esses dados reforçam a aplicabilidade da R-SWT em protocolos corporais pós-cirúrgicos e estéticos, especialmente em áreas extensas.

 

Nota clínica adicional: FIGURA 1 (contexto frequente na prática estética)

De forma complementar, a FIGURA 1 do artigo ilustra um cenário comum na prática dermatológica: fibrose dérmica profunda associada a nódulos granulomatosos após injeção de poli-L-láctico. Nesse caso, foi utilizada terapia combinada (focal e radial), com documentação clínica e ultrassonográfica demonstrando melhora estrutural do tecido.

Embora não seja o foco principal do estudo, esse exemplo reforça que a ESWT — incluindo a onda radial como parte do protocolo — pode ser considerada em situações de fibrose associadas a procedimentos injetáveis, desde que haja avaliação criteriosa e indicação adequada.

Segurança e tolerabilidade

O estudo demonstrou que a terapia foi bem tolerada, com dor considerada leve a moderada durante a aplicação. O edema pós-procedimento foi mais frequente nos tratamentos com R-SWT, porém autolimitado e sem relatos de eventos adversos graves, reforçando o perfil de segurança da técnica.

 

Implicações práticas para fisioterapia, dermatologia e estética médica

Os achados reforçam que a terapia por ondas de choque radiais:

  • Possui base científica sólida para o tratamento da fibrose dérmica e subdérmica
  • É especialmente indicada para fibroses difusas, subcutâneas e pós-cirúrgicas
  • Oferece excelente relação custo-benefício na prática clínica
  • Pode ser utilizada de forma isolada em muitos contextos, sem necessidade obrigatória de associação com tecnologias focais

 

Conclusão

A evidência apresentada no estudo demonstra que a terapia por ondas de choque de baixa energia é segura e eficaz no manejo da fibrose dérmica e subdérmica. Em especial, a onda radial (R-SWT) se consolida como uma ferramenta terapêutica altamente relevante em fisioterapia, dermatologia e estética médica, sobretudo em áreas extensas e fibroses pós-cirúrgicas, aliando resultado clínico, viabilidade operacional e custo-benefício favorável.

Referências

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39366905/

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