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Ondas de Choque Radiais na Esclerose Múltipla: Redução de Dor e Hipertonia Muscular em Estudo Duplo-Cego

esclerose multiplo

A espasticidade e a hipertonia muscular são manifestações comuns na esclerose múltipla (EM) e representam desafios importantes no cuidado desses pacientes. Elas interferem diretamente na mobilidade, funcionalidade, marcha e qualidade de vida. Embora existam diversas abordagens terapêuticas, poucas intervenções oferecem resultados rápidos, sustentados e não invasivos.

Nesse contexto, a terapia por ondas de choque radiais (RSWT) tem ganhado relevância como ferramenta complementar em reabilitação neurológica. Um estudo publicado no periódico Multiple Sclerosis Journal (Fator de Impacto 5.0) analisou os efeitos da RSWT sobre dor e hipertonia em pacientes com EM e apresentou resultados clínicos significativos.

Este artigo descreve o estudo, seus achados e o que eles representam para a prática clínica.

Objetivo do estudo

O estudo de Marinelli et al. (2014) teve como objetivo avaliar os efeitos da terapia por ondas de choque radiais na dor e na hipertonia dos músculos extensores do tornozelo em pacientes com esclerose múltipla. Além disso, o estudo investigou se a RSWT alterava a excitabilidade espinhal, um dos componentes envolvidos na espasticidade.

Trata-se de um ensaio clínico metodologicamente robusto: randomizado, duplo-cego e placebo-controlado.

Metodologia

Foram incluídos:

  • 68 pacientes com esclerose múltipla.
  • 34 no grupo tratado com RSWT.
  • 34 no grupo placebo.
  • Quatro sessões de tratamento, realizadas com intervalo semanal.

As avaliações foram feitas em três momentos:

  1. Baseline (antes da primeira sessão).
  2. Uma semana após a primeira sessão.
  3. Uma semana e quatro semanas após a última sessão.

Os instrumentos de avaliação incluíram:

  • Escala Visual Analógica de dor (VAS).
  • Escala de Ashworth modificada (tônus muscular).
  • Avaliação da excitabilidade espinhal por meio do reflexo H.

Este desenho experimental permitiu avaliar não apenas o efeito imediato da RSWT, mas também sua duração e seu impacto sobre componentes neurológicos reflexos.

Resultados

Os resultados do estudo foram claros:

Redução da dor

Os pacientes tratados com RSWT apresentaram diminuição significativa da dor em todas as avaliações, incluindo as realizadas após o término das sessões. O grupo placebo não apresentou alteração relevante.

Redução da hipertonia

A pontuação na escala de Ashworth diminuiu de forma significativa no grupo tratado, indicando redução do tônus muscular e melhora da mobilidade. Essa melhora persistiu após o fim do protocolo.

Mecanismo de ação

Embora tenha reduzido a hipertonia, a RSWT não alterou a excitabilidade espinhal. Isso indica que o principal mecanismo de ação está relacionado ao componente não reflexo da espasticidade, possivelmente por meio da melhora da elasticidade muscular, remodelação miofascial e redução de fibrose.

Segurança

Nenhum evento adverso significativo foi relatado. A intervenção foi bem tolerada e considerada segura.

Importância clínica do estudo

Este estudo é particularmente relevante por vários motivos:

  • É um dos primeiros ensaios duplo-cego com amostra robusta a investigar a RSWT em esclerose múltipla.
  • Demonstra que a terapia reduz tanto dor quanto hipertonia, dois fatores que limitam substancialmente a funcionalidade desses pacientes.
  • Mostra que os benefícios persistem por semanas após o término das sessões, sugerindo um efeito terapêutico duradouro.
  • Reforça a ideia de que a RSWT atua principalmente no componente muscular e miofascial da espasticidade, complementar às abordagens focadas na modulação neural.

Os achados ampliam o escopo de aplicação da onda de choque radial, mostrando que seu uso não se restringe à ortopedia, mas também pode contribuir de maneira significativa em reabilitação neurológica.

Implicações práticas

A RSWT pode ser incorporada de forma estratégica por profissionais de reabilitação neurológica e fisioterapeutas que tratam pacientes com esclerose múltipla. Os protocolos curtos, a segurança da aplicação e a melhora simultânea de dor e tônus tornam a técnica uma ferramenta útil em:

  • Treino de marcha.
  • Reabilitação funcional do tornozelo e pé.
  • Manejo da rigidez muscular crônica.
  • Redução da limitação funcional causada pela hipertonia.

Além disso, a ausência de intervenção invasiva e o baixo risco tornam a RSWT uma alternativa bem-aceita pelos pacientes e pela equipe multidisciplinar.

Conclusão

O estudo de Marinelli et al. (2014) oferece evidências sólidas de que a terapia por ondas de choque radiais é eficaz na redução da dor e da hipertonia muscular em pacientes com esclerose múltipla. Os resultados demonstram benefícios sustentados e ausência de efeitos adversos relevantes, reforçando o papel da RSWT como recurso terapêutico não invasivo na reabilitação neurológica.

Para profissionais que buscam ampliar seus recursos terapêuticos com base em evidências, a RSWT representa uma opção consistente, segura e com respaldo científico.

Referência

MARINELLI, L.; MORI, L.; et al. Effect of radial shock wave therapy on pain and muscle hypertonia: a double-blind study in patients with multiple sclerosis. Multiple Sclerosis Journal, v. 21, n. 5, p. 622–629, 2014. doi:10.1177/1352458514549566.

https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1352458514549566

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