Ondas de Choque Radiais e Focadas nas Osteoartrites: Evidências, Segurança e Resultados Reais
A terapia por ondas de choque extracorpóreas (ESWT) tem revolucionado o tratamento da dor musculoesquelética e das doenças articulares degenerativas.
Entre suas aplicações mais promissoras estão as osteoartrites (ou artroses) de joelho, quadril e ombro — condições que causam dor crônica, rigidez e limitação funcional em milhões de pessoas.
Um estudo clínico recente e inédito, publicado em 2023 no periódico Clinical Interventions in Aging, comparou pela primeira vez os efeitos das ondas de choque focadas (f-ESWT) e radiais (r-ESWT) no tratamento da osteoartrite de quadril.
Os resultados reforçam que a onda de choque radial, mesmo aplicada com energia moderada, oferece benefícios clínicos significativos, com segurança e excelente tolerabilidade.
O estudo: metodologia e participantes
O trabalho de Uysal et al. (2023) avaliou 148 pacientes (77 mulheres e 71 homens, 45–80 anos) com osteoartrite leve a moderada (graus I–III) de quadril.
Os voluntários foram divididos em três grupos:
- f-ESWT (focada)
- r-ESWT (radial)
- s-ESWT (placebo)
Foram realizadas 4 sessões semanais, com 2.000 disparos por sessão e frequência de 8 Hz.
Os resultados foram analisados pelas escalas VAS (dor) e WOMAC (função e rigidez) nas semanas 0, 4 e 8.
Parâmetros técnicos utilizados
r-ESWT (onda radial):
- Energia: até 0,192 mJ/mm²
- Pressão: 1,6 bar
- Frequência: 8 Hz
- Pulsos por sessão: 2.000
f-ESWT (onda focada):
- Energia: até 0,60 mJ/mm²
- Pressão: 1,8 bar
- Frequência: 8 Hz
- Pulsos por sessão: 2.000
Energia aplicada: um ponto essencial
É importante destacar que a energia aplicada no grupo focado (0,60 mJ/mm²) é consideravelmente mais alta do que a usada na maioria dos protocolos clínicos convencionais.
Normalmente, terapias focadas são realizadas entre 0,15 e 0,45 mJ/mm², e níveis acima de 0,50 mJ/mm² são raros fora de contextos de pesquisa ou exigem anestesia local devido ao desconforto e risco de hematomas.
A onda radial, por outro lado, atua com segurança em faixas de 1.5–3.0 bar e não depende de alta energia.
Ela tem um mecanismo de ação diferente: gera uma onda acústica divergente e superficial, que se propaga de forma difusa, ativando processos biológicos de regeneração e analgesia sem provocar trauma tecidual.
Acima de aproximadamente 4 bar, a onda radial perde seu perfil terapêutico — a pressão se concentra demais na pele, gerando dor, equimoses e perda de controle sobre a energia entregue.
Ou seja: mais força não significa melhor resultado. A radial foi projetada justamente para estimular, não destruir.
Mesmo aplicada com energia moderada (1,6 bar / ~0,19 mJ/mm²), a onda de choque radial produziu melhora estatisticamente significativa na dor e na mobilidade dos pacientes.
Os autores concluíram:
“Both r-ESWT and f-ESWT were found to be more effective than the sham treatment. f-ESWT produced a superior improvement, but r-ESWT was also significantly effective in pain and function reduction.”
Em termos clínicos, isso significa que a onda radial alcançou melhoras concretas de dor e função, mesmo sem usar níveis extremos de energia.
Isso reforça sua eficácia, segurança e aplicabilidade ambulatorial, sem necessidade de anestesia ou equipamentos complexos.
Protocolo clínico atual da Biochoque
Com base nas evidências científicas e na prática clínica, a Biochoque recomenda o seguinte protocolo para artroses e osteoartrites leves e moderadas:
Indicação | Regiões | Pulsos por sessão | Pressão (bar) | Frequência (Hz) | Sessões |
Osteoartrite / Artrose | Joelho, Quadril, Ombro | 2.000–2.500 | 1.5–3.0 bar | 8–10 Hz | 4–6 sessões |
Esse intervalo permite estímulo biológico eficaz, melhora funcional progressiva e ótimo conforto ao paciente — mantendo a integridade tecidual e o perfil seguro da tecnologia radial.
Focada x Radial: propósitos diferentes
A f-ESWT é indicada em casos muito específicos, quando é necessário atingir estruturas profundas (como a cabeça femoral ou tendões intra-articulares).
Ela requer maior energia, anestesia local e apresenta custo elevado e manutenção complexa.
A r-ESWT, por sua vez, é versátil, segura e eficaz para a maioria dos casos clínicos:
tendinopatias, bursites, fasciítes, síndromes miofasciais e artroses leves e moderadas.
Sua ação difusa e controlada estimula regeneração, neovascularização e analgesia com excelente custo-benefício.
O que muitos consideram uma “limitação de energia” é, na verdade, parte do design inteligente da tecnologia radial — ela foi feita para curar, não machucar.
Conclusão
O estudo de Uysal et al. (2023) confirma que ambas as modalidades de ESWT são eficazes, mas destaca algo essencial:
mesmo em baixa energia, a onda de choque radial demonstrou resultados positivos e clinicamente relevantes.
Ela reduziu dor, melhorou a mobilidade e mostrou ser uma alternativa segura, acessível e eficiente para o tratamento da artrose e osteoartrite.
Isso reforça que a eficácia terapêutica não depende da força da energia aplicada, e sim da resposta biológica adequada do tecido.
Na Biochoque, oferecemos equipamentos de ondas de choque radiais de alta performance, desenvolvidos em cooperação técnica internacional, com assistência técnica no Brasil e protocolos clínicos baseados em evidências.
A tecnologia radial entrega resultados reais — com segurança, conforto e respaldo científico.
Referência científica
Uysal, F., Koca, T. T., Ozturk, A., et al. (2023).
Comparative effects of focused and radial extracorporeal shock wave therapy in the treatment of hip osteoarthritis: a randomized, double-blind, controlled trial.
Clinical Interventions in Aging, 18, 89–99.
Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC9865373/